Casal Hardeman: 'Eles deveriam estar conosco quando estávamos na enfermaria de quimioterapia'

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Casal Hardeman: 'Eles deveriam estar conosco quando estávamos na enfermaria de quimioterapia'

O jornal britânico The Guardian revelou (por Sam Levin) a luta do agricultor norte-americano Edwin Hardeman, 70, que provou a um júri de uma corte federal dos EUA a causa do seu linfoma não-Hodgkin (LNH)

Hardeman Couple: 'They should be with us when we were in the chemotherapy ward' & The British newspaper The Guardian revealed (by Sam Levin) The fight of U.S. farmer Edwin Hardeman, 70 years old, who proved to a jury of a USA federal court the cause of his non-Hodgkin lymphomaHodgkin lymphoma (NHL) 

 

Hardeman julgamento Roundup California EUA

Crédito imagem: Genetic Literacy Project

 

Com base na notícia The family that took on Monsanto: 'They should've been with us in the chemo ward' (por Sam Levin) do The Guardian de 10 de abril de 2019, o agricultor Edwin Hardeman, 70, havia passado por seis sessões de quimioterapia em 2015, quando assistiu a um relato na TV que disse que a exposição a um popular agrotóxico poderia levar ao exato câncer que estava destruindo sua vida. Pela primeira vez, esse californiano teve uma possível explicação para sua doença.

O que ele não imaginada era que, quatro anos depois, ele se tornaria a primeira pessoa a provar em um tribunal federal dos EUA que um agrotóxico à base de glifosato "havia causado seu linfoma não-Hodgkin" (LNH) e que, no âmbito desse processo judicial, "ajudaria a revelar segredos considerados condenatórios" em desfavor do fabricante desse agrotóxico e "sua influência na ciência e no governo dos EUA".

"Espero que esta seja uma reviravolta significativa na história da Monsanto", disse Hardeman em uma recente manhã em sua casa em Windsor, sua primeira entrevista desde que um júri decidiu que "a companhia era responsável por seu câncer" e lhe devia US$ 80 milhões em danos. "Talvez eles finalmente façam a coisa certa", disse Hardeman. 

Segundo o The Guardian, a Monsanto, agora propriedade da companhia alemã Bayer, "não deu indicações de que planeja mudar" seus planos. Mas o triunfo de Hardeman no Tribunal, "superando até mesmo um juiz que era abertamente hostil ao seu caso" poderá agora "afetar dezenas de milhares" de norte-americanos "que sobreviveram ao câncer e suas famílias" nos tribunais dos EUA — e isso poderá "afetar a indústria de agrotóxicos nos próximos anos".

 

Hardeman como o "o rosto" de uma luta

Edwin Hardeman e sua esposa, Mary, nunca esperaram que se tornassem de fato líderes dessa luta em uma corte federal dos EUA contra o agrotóxico mais usado no mundo. O casal só queria que a Monsanto "reconhecesse os perigos do seu agrotóxico" — e "potencialmente salvasse outras famílias do horror que elas suportavam".

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EUA: o USDA e sua contestada "inspeção" privatizada da carne suína

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EUA: o USDA e sua contestada "inspeção" privatizada da carne suína

Coincidentemente, no Brasil tramitam os similares projetos privaticionistas PL 334/2015 e PLS 326/2016. Modus operandi importado? Adoção de um "HIMP" piorado (já adotado no Paraná e outros estados)? Privatização da segurança alimentar da população? São os legítimos questionamentos que devem ser feitos em favor do interesse público e da saúde e segurança alimentar da população

USA: The USDA and its contested "inspection" privatized pork & Coincidentally, in Brazil they have the similar privatitionist projects PL 334/2015 and PLS 326/2016. Imported Modus Operandi? Adoption of a worsened "HIMP" (already adopted in Parana and other states)? Privatization of the safe food of the population? The legitimate questions that must be made in pro of the public interest and food health and safety of the population

 

Trump pork high speed privatization

Crédito imagem: Bloomberg/Bloomberg via Getty Images publicada no The Guardian

 

Com base na notícia Trump Is About to Make the Pork Industry Responsible for Inspecting Itself (por Tom Philpott) da Mother Jones de 5 de abril de 2019, os trabalhadores dos frigoríficos de carne dos EUA têm uma taxa de doenças e ferimentos 2,5 vezes superior à média nacional; e de condições por esforço repetitivo que ocasionam lesões a uma taxa quase sete vezes maior que a de outras indústrias. Essas taxas se devem à alta velocidade imposta aos trabalhadores nas linhas de abate desses frigoríficos: carcaças de suínos que pesam até 270 quilos chegam aos trabalhadores a uma taxa média de 977 animais por hora, ou cerca de 16 por minuto.

O U. S. Department of Agriculture (USDA) [Departamento de Agricultura] dos EUA, sob a administração de Donald Trump, finaliza um plano privaticionista chamado New Swine Slaughter Inspection System (NSIS), que permitirá que as linhas de abate dos frigoríficos de carne suína se movimentem com mais velocidade, relatou Kimberly Kindy do jornal The Washington Post. Atualmente, o Food Safety and Inspection Service (FSIS) [Serviço de Inspeção e Segurança de Alimentos] do USDA é o serviço federal responsável pela fiscalização agropecuária nas linhas de abate dos frigoríficos, e tem a responsabilidade de garantir que carne contaminada e impróprio para o consumo humano não ingresse na cadeia alimentar da população. Segundo Kindy, o plano previsto pelo USDA privatizará parte da fiscalização agropecuária federal nos frigoríficos de carne suína.

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EUA: júri concluiu que o agrotóxico foi 'fator substancial' para câncer de agricultor

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EUA: júri concluiu que o agrotóxico foi 'fator substancial' para câncer de agricultor

Depois de deliberar por uma semana o júri, integrado por cinco mulheres e um homem, chegou a um veredicto unânime em favor do agricultor Ed Hardeman, 70. Para chegar a essa decisão, o júri efetivamente rejeitou o argumento do fabricante do agrotóxico glifosato de que "não há como se saber o que causou seu linfoma não-Hodgkin"

USA: Jury concluded that agrotoxicity was'substantial factor' for farmer's cancer & After deliberating for a week the jury, integrated by five women and a man, reached a unanimous verdict in favor of farmer Ed Hardeman, 70. To reach this decision, the jury effectively rejected the manufacturer's argument of the agrotoxic glyphosate that "there isn't to know how what caused his non-Hodgkin's lymphoma"

 

Julgamento california EUA glifosato cancer

Crédito imagem: Francois Mori/Associated Press

 

Com base na notícia California Jury Finds Roundup Weedkiller to be 'Substantial Factor' in Causing Man’s Cancer do Sustainable Pulse de 19 de março de 2019, um júri federal da Califórnia, EUA, concluiu ontem (19) que  o agrotóxico Roundup à base de glifosato da companhia Monsanto "provavelmente foi um substancial fator” para o câncer do agricultor Ed Hardeman. Segundo a notícia, a conclusão do júri é "um grande golpe na Bayer no primeiro julgamento federal" e "repara o terreno para uma segunda fase" desse julgamento que determinará o valor da indenização em danos a ser paga. 

O júri, integrado por cinco mulheres e um homem, depois de deliberar por uma semana, chegou a um veredicto unânime em favor do queixoso Ed Hardeman. Para chegar a essa decisão, o júri efetivamente rejeitou o argumento da companhia Monsanto de que "não há como se saber o que causou o linfoma não-Hodgkin" de Hardeman.

Esse veredicto determinou o fim da primeira fase do julgamento entre Hardeman contra a Monsanto, iniciado em 25 de fevereiro. Na sua fase inicial, o júri foi encarregado de decidir se as evidências científicas apoiam a conclusão de que o agrotóxico Roundup e seu ingrediente ativo, o glifosato, "geralmente causam o linfoma não-Hodgkin" e se especificamente este foi a "causa do câncer" de Hardeman, deixando para a segunda fase do julgamento a determinação do valor da indenização em danos e outras reivindicações.

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UE: Estados-membros proíbem o mundialmente popular agrotóxico clorotalonil

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UE: Estados-membros proíbem o mundialmente popular agrotóxico clorotalonil

Em breve, os agrotóxicos à base de clorotalonil serão banidos dos domínios da União Europeia (UE), depois que reguladores governamentais relataram preocupações com a saúde humana e com o meio ambiente

EU: Member States prohibited the world-wide agrotoxic Chlorotalonil & Chlorotalonil-based pesticides will soon be banned from the European Union (EU) areas, after government regulators have reported concerns about human health and the environment

 

Chorotalonil banimento UE

Crédito imagem: Eugenia Banks & Spudsmart

 

Com base na notícia EU bans UK's most-used pesticide over health and environment fears (por Damian Carrington) do The Guardian de 29 de março de 2019, os Estados-membros da União Europeia (UE) votaram a favor da proibição dos agrotóxicos à base de clorotalonil  — com monografia autorizada no Brasil —,  após uma revisão científica de 30 de janeiro de 2019 da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos [European Food Safety Authority (EFSA)], não ter conseguido excluir a não possibilidade de que os subprodutos da decomposição causem danos ao DNA. A EFSA também reportou que "um alto risco para anfíbios e peixes foi identificado para todos os usos representativos" desse agrotóxico. Um recente estudo também identificou o clorotalonil e outros fungicidas como forte fator ligado ao declínio acentuado das populações de abelhas.

 

Um mundialmente popular agrotóxico fungicida

O agrotóxico clorotalonil previne doenças fúngicas e é o mais usado no Reino Unido e nos EUA é popularmente aplicado em milhões de hectares de cultivos. O sindicato dos fabricantes de agrotóxicos do Reio Unido classificou essa proibição de "excessivamente cautelosa".

Segundo a notícia do The Guardian, reguladores de todo o mundo têm falsamente assumido que é seguro pulverizar agrotóxicos sobre os cultivos em escala industrial, de acordo com um consultor chefe científico do governo do Reino Unido. Em 2017, outros estudos mostraram que os agricultores poderiam reduzir o uso de agrotóxicos sem perdas econômicas, enquanto um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) denunciou o "mito" de que os agrotóxicos são necessários "para alimentar o mundo".

Uma porta-voz da Comissão Europeia disse: "A proibição [do clorotalonil] baseia-se na avaliação científica da EFSA, que concluiu que os critérios de [de agrotóxicos na UE] aprovação parecem que não foram atendidos por uma ampla gama de razões. Grandes preocupações são levantadas em relação à contaminação das águas subterrâneas por metabólitos dessa substância".

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Cientistas encontram novas evidências preocupantes entre agrotóxicos à base de glifosato e câncer

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Cientistas encontram novas evidências preocupantes entre agrotóxicos à base de glifosato e câncer

Um novo estudo — Exposure to Glyphosate-Based Herbicides and Risk for Non-Hodgkin Lymphoma: A Meta-Analysis and Supporting Evidence — sugere que pessoas expostas a "grandes doses" de agrotóxicos à base de glifosato "têm um risco elevado de desenvolver o linfoma não-Hodgkin"

Scientists find new worrying evidence of glyphosate-based pesticides and cancer & A new study - Exposure to Glyphosate-Based Herbicides and Risk for Non-Hodgkin Lymphoma: Meta-Analysis and Supporting Evidence - suggests that people exposed to "large doses" of glyphosate-based pesticides have a high risk of developing lymphoma non-Hodgkin's"

 

Glifosato novo estudo linfoma

Crédito imagem: Fotokostic/Getty

 

Com base na notícia Scientists Found Worrisome New Evidence About Roundup and Cancer (por Tom Philpott) da Mother Jones de 14 de março de 2019, trava-se  um longo debate sobre se o agrotóxico mais amplamente utilizado no mundo concorre para que o câncer "borbulhe de novo" nas pessoas. O agrotóxico glifosato é o componente ativo chave do herbicida da Monsanto comercializado com a marca Roundup. A notícia Bayer Roundup cancer trial goes to jury after closing arguments (por Jim Christie) da Reuters de 12 de março de 2019, afirma que "os advogados fizeram uma audiência de fechamento" em San Francisco, Califórnia (EUA), na primeira fase de uma ação judicial contra a gigante alemã Bayer, que no ano passado adquiriu a Monsanto. O autor dessa ação, Edwin Hardemanafirma que "o uso do agrotóxico Roundup o levou a desenvolver" o linfoma não-Hodgkin (NHL, sigla em inglês), um tipo de câncer. O júri ficou de decidir (na sexta-feira, 15) se comprovadamente o agrotóxico à base de glifosato usado por Hardeman foi um "fator substancial" para causar seu câncer, conforme deu suas instruções o juiz da Corte Distrital dos EUA (US District Court), Vince Chhabria. Caso o júri decida por unanimidade a favor de Hardeman, uma segunda fase desse julgamento considerará a responsabilidade da Monsanto. Uma decisão dividida do júri resultará em um julgamento incorreto e provavelmente desencadeará um novo julgamento para Hardeman. 

As principais agências reguladoras de agrotóxicos dos Estados Unidos e do Canadá "concluíram que o glifosato não é carcinogênico". Porém, o agrotóxico glifosato permanece sob escrutínio. Apenas algumas semanas antes do início do julgamento de Hardeman, vários pesquisadores que já participaram de um painel do governo dos EUA para avaliar a segurança do glifosato, divulgaram um novo estudo — Exposure to Glyphosate-Based Herbicides and Risk for Non-Hodgkin Lymphoma: A Meta-Analysis and Supporting Evidence, publicado na revista Science Direct em 10 de fevereiro de 2019 — que sugere que pessoas expostas a grandes doses de agrotóxicos à base de glifosato têm um risco elevado de desenvolver o linfoma não-Hodgkin. Durantes seus depoimentos, duas das testemunhas especialistas no caso Hardeman, citaram justamente esse estudo. 

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