EUA: pandemia, desregulamentação e privatização da fiscalização pública da carne

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EUA: pandemia, desregulamentação e privatização da fiscalização pública da carne

Um "modelo" neoliberal que desregulamenta e privatiza a fiscalização pública da carne e que por aqui é "copiado e colado"; sofismado como "medida modernizadora" e sob "autocontrole" dos próprios frigoríficos. No Paraná, o governo Ratinho Junior, inconstitucionalmente e ilegalmente, mantém privatizada a "fiscalização da carne" em benefício dos frigoríficos "sob" SIP/POA em detrimento da segurança alimentar dos paranaenses

 

Indústria suína NSIS

Crédito imagem: The New Republic | Ralph Orlowski / Getty Images

 

Frigoríficos de suínos

Enquanto o mundo se concentra na pandemia da covid-19 e seu impacto devastador na saúde pública, “nos bastidores”, o governo Trump se ocupa em “dobrar a sua campanha” para desregulamentar e privatizar a fiscalização pública da carne. Ao mesmo tempo, Trump não atua para que sejam obrigatórias as medidas que poderiam proteger os trabalhadores dos frigoríficos e os fiscais agropecuários do Serviço de Inspeção e Segurança de Alimentos (FSIS) da contaminação pela covid-19. É o que relata a notícia USDA Is Removing Safeguards On Food While Everyone Else Is Fighting A Pandemic (por Tony Corbo) do Food & Water Watch de 16 de abril de 2020.

Pandemia de covid-19 prejudica a indústria pecuária estadunidense

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Pandemia de covid-19 prejudica a indústria pecuária estadunidense

A disseminação do vírus da covid-19 já infectou centenas de trabalhadores da indústria pecuária dos EUA e o fechamento de frigoríficos colocam esse país "perigosamente perto" de um déficit alimentar

 

Foto frigorífico

Crédito imagem: Reuters/Tom Polansek/File Photo

 

Conforme a notícia Slaughterhouses That Supply America's Meat Are Starting to Close (por Isis Almeida e Michael Hirtzer) do Bloomberg de 13 de abril de 2020, a pandemia de covid-19 atingiu centenas de trabalhadores da indústria pecuária dos EUA e a perspectiva "paralisações prolongadas" dos frigoríficos significa que esse país está "perigosamente perto" de um déficit alimentar.

No último dia 12, a Smithfield de Dakota do Sul (de propriedade da chinesa WH Group Ltd.), um dos maiores frigoríficos de suínos do mundo, foi obrigada a interromper suas atividades depois que mais de 200 dos seus trabalhadores foram infectados pelo novo coronavírus.  

USDA e indústria pecuária dos EUA negligenciam os trabalhadores da indústria da carne

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USDA e indústria pecuária dos EUA negligenciam os trabalhadores da indústria da carne

Food & Water Watch: o Departamento de Agricultura (USDA) e a indústria pecuária dos EUA negligenciam os trabalhadores que garantem o suprimento alimentar dos estadunidenses e isso prejudicará o fornecimento de carne nesse país

 

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Crédito imagem: Today | Bloomberg via Getty Images

 

A Smithfield Foods (de propriedade da chinesa WH Group Ltd.), o maior frigorífico de suínos do mundo, deveria ter fechado as instalações de Sioux Falls, Dakota do Sul, semanas atrás.

Porém, somente no último dia 12, de acordo com um informe seu, a Smithfields Foods anunciou o fechamento por tempo indeterminado das suas instalações em Sioux Falls devido à pandemia de coronavírus.

Exportação de produtos derivados da carne: concorrentes sul-americanos estão organizados

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Exportação de produtos derivados da carne: concorrentes sul-americanos estão organizados

Estadunidenses, através do USDA & FSIS, exigem poder público e não o neoliberal "autocontrole" privado!

 

usda fsis argentina uruguai 2019 auditorias afisa pr

 

Auditados, as Autoridades Centrais Competentes (CCA, sigla em inglês) da Argentina e do Uruguai, respectivamente, o Servicio Nacional de Sanidad y Calidad Agroalimentaria (Senasa) e  Ministerio de Gandería, Agricultura y Pesca (MGAP), mantêm seus respectivos sistemas de fiscalização pública de produtos de origem animal e de segurança alimentar equivalentes à dos EUA: 

 

Follow-up Report of an Audit Conducted in Argentina December 2-6, 20191

O Follow-up Report of an Audit Conducted in Argentina December 2-6, 2019 | Evaluating the Food Safety Systems Governing Meat Exported to the United States Of America — Em resumo, este relatório descreve o resultado de uma auditoria de verificação de equivalência na Argentina conduzida pelo Departament of Agriculture (USDA) & Food Safety and Inspection Service (FSIS) de 2 a 6 de dezembro de 2019. O objetivo da auditoria foi verificar a implementação por parte da Autoridade Central Competente (CCA) da Argentina das ações corretivas em resposta às conclusões da auditoria do USDA & FSIS de 25 de fevereiro a 15 de março de 2019, a fim de determinar se o sistema de fiscalização de segurança alimentar da Argentina que rege a carne permanece equivalente ao dos Estados Unidos, com a capacidade de exportar produtos que são seguros, saudáveis, não adulterados, embalados e rotulados corretamente. Atualmente, a Argentina exporta carne bovina crua intacta e totalmente cozida, e não pronta para o consumo (RTE, Ready-to-Eat) para os EUA.

Dinamarca adota rigorosas regras contra caminhões transportadores de suínos vivos

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Dinamarca adota rigorosas regras contra caminhões transportadores de suínos vivos

Para proteger sua próspera indústria suinícola, sem amadorismo e sem politicagem, a Dinamarca atua para se manter livre da peste suína africana (PSA) e de outras graves doenças

 

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Crédito imagem: Vincent ter Beek | Pig Progress

 

Como a Dinamarca exporta 90% dos 28 milhões de suínos que cria em 5 mil propriedades rurais, em seu território ingressam muitos caminhões descarregados para o transporte de suínos vivos. Para evitar que sua indústria suinícola seja prejudicada pela introdução de graves doenças, esses caminhões só podem ingressar em território dinamarquês através das estações fronteiriças de lavagem e desinfecção que são financiadas pelos próprios produtores de suínos.

Conforme a notícia Keeping ASF at bay at the Danish border (por Vincent ter Beek) do Pig Progress de 15 de janeiro de 2020, a reportagem do britânico Pig Progress acompanhou o ingresso de um caminhão vazio procedente da Polônia pela estação de lavagem e desinfecção localizada a fronteira com a Alemanha. O caminhão foi imediatamente atendido e a primeira ação foi pulverizar o seu para-brisa com uma substância detergente. "É para onde migra a maior parte da sujeira, por isso precisa de mais atenção", explicou Claus Clausen, diretor da Danish Safety Wash em Padborg.