Segurança alimentar: comitê de médicos processa o USDA

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Segurança alimentar: comitê de médicos processa o USDA

Frigoríficos de frango que operam com "inspeção" privatizada de produtos de origem animal revelaram mais falhas na detecção da bactéria Salmonella. No Brasil, tanto na Câmara como no Senado, tramitam projetos que visam privatizar a fiscalização agropecuária pública de produtos de origem animal

 

 Poultry

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Com base na notícia Doctors sue USDA for ignoring concerns over fecal contamination of chicken do The Poultry Site de 19 de abril de 2019, o Physicians Committee for Responsible Medicine [comitê de médicos de Médicos pela Medicina Responsável] — uma organização sem fins lucrativos nos EUA que congrega 12.000 médicos — , no último 16 de abril ingressou com processo judicial contra o U. S. Departament of Agriculture (USDA) [Departamento de Agricultura] dos EUA pela sua "falta de preocupação" com contaminação fecal na carne de frango.

O processo judicial, aberto na District Court [Tribunal Distrital] dos EUA para o Distrito de Columbia, almeja obrigar o USDA a cumprir o Administrative Procedure Act (Ato de Procedimento Administrativo) e a responder uma petição do comitê de médicos de médicos apresentada em 14 de março, que pede que a contaminação fecal seja considerada um adulterante sob a Federal Meat Inspection Act  (Lei Federal de Inspeção de Carnes) e Poultry Products Inspection Act [Lei de Inspeção de Produtos Avícolas].

Segundo a notícia, o USDA implementa uma política de "tolerância zero" para a contaminação fecal, porém, aplicável apenas à contaminação feal visível: a carne passa pelo crivo da segurança alimentar do USDA desde que as fezes nas carcaças dos frangos não sejam visíveis a olho nu.

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EUA: informante do USDA/FSIS revela à OCA os bastidores da fiscalização da carne

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EUA: informante do USDA/FSIS revela à OCA os bastidores da fiscalização da carne

Organic Consumers Association (OCA) denunciou que "corrupção e má administração" no serviço de fiscalização da carne dos EUA prejudicam consumidores

 

USDA FSIS

Crédito imagem: https://meat.tamu.edu/

 

Com base na notícia Corruption, Mismanagement at USDA's Food Safety and Inspection Service's Put Consumers at Risk, Whistleblower Says (por Martha Rosenberg) do Organic Consumers Association (OCA) [Associação de Consumidores Orgânicos] de 11 de abril de 2019, "corrupção e má administração" no serviço de fiscalização da carne do U. S. Department of Agriculture (USDA) [Departamento de Agricultura] dos EUA colocam a segurança alimentar dos consumidores desse país em risco, conforme relato de um funcionário do Food Safety and Inspection Service (FSIS) [Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar] sob condição de anonimato.

O FSIS, que opera sob o USDA e emprega mais de 10.000 funcionários, tem a tarefa de garantir a segurança alimentar e a correta rotulagem da carne e ovos vendidos nos EUA. Os fiscais agropecuários do FSIS estão presentes em mais de 6.200 frigoríficos de abate, processamento e importação dos EUA para fiscalizar a presença de animais doentes, abate de acordo com o Humane Slaughter Act, contaminação bacteriana e presença de antibióticos, agrotóxicos e outros resíduos. Os fiscais agropecuários do FSIS monitoram a venda e distribuição de produtos alimentícios processados para prevenir surtos de doenças e ajudar no início de recalls de alimentos contaminados.

Segundo a notícia, a principal obrigação do FSIS é a de proteger os consumidores, porém, conforme o relato prestado à OCA sob a condição de anonimato "por um oficial de operações de conformidade que há muitos anos atua" no FSIS, "corrupção interna, má administração, moral baixo e indisfarçados conflitos de interesse" muitas vezes impedem que seus fiscais agropecuários cumpram suas obrigações.

Trata-se de "uma crise de saúde pública apenas esperando para acontecer", disse o informante do FSIS à OCA.

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Vietnã proíbe completamente em seu território comércio e uso de agrotóxicos à base de glifosato

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Vietnã proíbe completamente em seu território comércio e uso de agrotóxicos à base de glifosato

Governo do Vietnã, através da Decisão 1186/QD-BNN-BVTV, removeu da lista de agrotóxicos autorizados desse país todos os 104 agrotóxicos que contém o ingrediente ativo glifosato

 

 Glifosato proibicao Vietna Afisa PR

Crédito imagem: The Detox Project

 

Amparado no seu Decreto de Nutrição 15/2017/ND-CP, o governo do Vietnã, através da Decisão 1186/QD-BNN-BVTVO, removeu da sua lista de agrotóxicos autorizados desse país todas as 104 marcas comerciais de agrotóxicos que contém o ingrediente ativo glifosato. Essa  decisão foi noticiada pelo seu Plant Protection Department of Vietnam (PPD) [Departamento de Proteção de Plantas] em 10 de abril de 2019 em sua página oficial na internet.

Com base na notícia Vietnam bans cancer-causing herbicides following Roundup verdict (por Bich Ngoc) do VN Express Internacional de 11 de abril de 2019, a decisão do PPD do Vietnã de banir os agrotóxicos à base de glifosato entrará em vigor 60 dias após sua assinatura. Os agrotóxicos em circulação não são afetados pela proibição. Depois de 10 de junho próximo, eles não poderão mais ser importados, produzidos, comercializados e usados no Vietnã.

Segundo o PPD do Vietnã, os agrotóxicos contendo glifosato que ainda circulam no comércio desse país poderão ser comercializados e usados "​​por até um ano a partir do dia em que a decisão entrar em vigor", após o que os estoques remanescentes "serão coletados e destruídos". Estima-se que ainda exista cerca de cinco milhões de litros de glifosato em circulação no comércio de agrotóxicos do Vietnã.

No Brasil, o ingrediente ativo glifosato tem monografia autorizada pela agência federal responsável. 

No Estado do Paraná, existem atualmente 89 marcas comerciais de agrotóxicos à base de glifosato cadastradas e autorizadas pelo governo com base na legislação estadual vigente.

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Download this file (Exposure to Glyphosate-Based Herbicides and Risk forNon-Hodgkin Lymphoma....pdf)University of Washington - Exposure to Glyphosate-Based Herbicides and Risk...[Autores: Luoping Zhang, Iemaan Rana, Rachel M. Shaffer, Emanuela Taioli, Lianne Sheppard]845 kB
Download this file (Glyphosate.pdf)Decisão 1186/QD-BNN-BVTV & Glifosato.pdf[Governo do Vietnã]2534 kB
Download this file (QA_Glyphosate.pdf)G&A on Glyphosate.pdf[International Agency for Research on Cancer (IARC) & World Health Organization (WHO)]49 kB

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EUA: Food & Water Watch investigou o índice de violações de segurança alimentar em frigoríficos com e sem HIMP

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EUA: Food & Water Watch investigou o índice de violações de segurança alimentar em frigoríficos com e sem HIMP

Um "modelo" de "inspeção" privatizada da carne e da segurança alimentar em prejuízo da população que não pode ser "copiado" e "colado"

 

USDA increase slaughter speeds while reducing inspectors Guardian

Crédito imagem: Gerry Broome/AP (veiculada no The Guardian)

 

Como base na notícia Translating the New Swine Inspection System do Food & Water Watch de 15 de abril de 2019, o New Swine Inspection System (NSIS), o novo "modelo" de "fiscalização" privatizada da carne suína proposto pelo U. S. Department of Agriculture (USDA) [Departamento de Agricultura] dos EUA, permitirá que os frigoríficos utilizem seus próprios empregados para a "execução" das principais tarefas de fiscalização da carne e da segurança alimentar, além de permitir o aumento da velocidade nas linhas de abate.

O "modelo" NSIS privatizará parte da fiscalização agropecuária federal dos EUA em frigoríficos de suínos pela redução do contingente — em cerca de 40% — de fiscais agropecuários federais do USDA & Food Safety and Inspection Service (FSIS) [Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar] e a substituição desse contigente pelos empregados dos próprios frigoríficos para "realização" de tarefas-chaves em segurança alimentar.

Em 1998, esse "modelo" de autoinspeção ou autocontrole teve seu desempenho preliminarmente testado pelo USDA em 5 frigoríficos de suínos, chamados piloto, que participam do programa governamental HACCP-based Inspection Model Project (HIMP) [Projeto de Modelo de Inspeção (HIMP) baseado no HACCP1]. 

Em 2013, uma auditoria nos frigoríricos HIMP experimentais feita pela inspetoria geral do próprio USDA concluiu que, após 15 anos de testes de "inspeção" privatizada em frigoríficos piloto, o USDA não conseguiu determinar se seus objetivos foram atingidos em decofrrência da inadequada supervisão e fiscalização.

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EUA: relatório federal preliminar da ATSDR 'confirma vínculos do glifosato com câncer'

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EUA: relatório federal preliminar da ATSDR 'confirma vínculos do glifosato com câncer'

O relatório federal preliminar Toxicological Profile for Glyphosate & Draft for Public Comment da Agency for Toxic Substances and Disease Registry (ATSDR) [Agência de Substâncias Tóxicas e Registro de Doenças] sobre o perfil toxicológico do agrotóxico glifosato, "confirma seu vínculo com o câncer". Nos EUA, o relatório da ATSDR está sob consulta pública

 

Toxicological prolife for glyphosate GMWATCH

Crédito imagem: GMWatch

 

Com base na notícia Links to cancer shown in US federal draft report on glyphosate do GMWatch de 11 de abril de 2019, um importantíssimo relatório federal preliminar — anteriormente vinculado a um suposto caso em que um "colaborador da Monsanto" na U.S. Environmental Protection Agency (EPA) [Agência de Proteção Ambiental dos EUA] "tentou matá-lo" , foi finalmente divulgado para consulta pública nos EUA.

Em 8 de abril, a Agency for Toxic Substances and Disease Registry (ATSDR) [Agência de Substâncias Tóxicas e Registro de Doenças], ligada aos Centers for Disease Control and Prevention (CDC) [Centros de Controle e Prevenção de Doenças] e parte do US Department of Health and Human Services (HHS) [Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA], divulgou seu esperado relatório Toxicological Profile for Glyphosate & Draft for Public Comment sobre o perfil toxicológico do agrotóxico glifosato e que "confirma seu vínculo com o câncer". Como o relatório da ATSDR confirma o vínculo do glifosato com o câncer, segundo a GMWatch, isso "poderá ter um impacto prejudicial" na defesa da companhia fabricante contra o grande número de processos judiciais que envolve esse agrotóxico. 

Por mais de três anos a divulgação do relatório da ATSDR foi adiada, supostamente, "graças aos esforços da Monsanto e de um grupo de funcionários de alto escalão da EPA dos EUA". Esse atraso, segundo a GMWatch, ocorreu devido a ATSDR ter "documentado uma série de preocupações toxicológicas" sobre o agrotóxico glifosato. Segundo a GMWatch, o que "mais preocupa" a companhia fabricante é que o relatório da ATSDR também aponta evidências "que ligam o agrotóxico glifosato ao linfoma não-Hodgkin (LNH)", assim como à conclusão da International Agency for Research on Cancer (IARC) [Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer] da Organização Mundial da Saúde (OMS): "esse é o resultado" que a companhia fabricante temia, porque reduz sua narrativa de que a conclusão da IARC sobre a carcinogenicidade do agrotóxico glifosato "pode ser compensada" pela conclusão ["não provável carcinógeno"] contária da EPA". 

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