Afisa-PR

Opinião da Direx: o gravíssimo problema do agrotóxico paraquate

É inaceitável que a avaliação toxicológica do agrotóxico paraquate arraste-se no Brasil desde 2008! O agrotóxico paraquate "foi produzido pela primeira vez, com propósitos comerciais pela Sinon Corporation, em 1961 para ICI, (atualmente pela Syngenta) e é hoje um dos herbicidas mais usados". Usado a quase 60 anos na agricultura sua toxicologia — toxicodinâmica e toxicocinética — para os seres humanos é amplamente conhecida 

 

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Segundo a notícia Anvisa finaliza reavaliação toxicológica do Paraquate da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de 19 de setembro de 2017, a deliberação é "pelo banimento do herbicida após três anos de prazo para transição". No entanto, chama a atenção o tempo dispensado à reavaliação toxicológica do paraquate, que teve início em 2008.

O agrotóxico paraquate "foi produzido pela primeira vez, com propósitos comerciais pela Sinon Corporation, em 1961 para ICI, (atualmente pela Syngenta) e é hoje um dos herbicidas mais usados". 

Como desde 1961 o agrotóxico paraquate é usado na agricultura, é amplamente conhecida sua toxicologia — toxicodinâmica e toxicocinética — para os seres humanos.

Esse conhecimento toxicológico é tão evidente que [antes do início da reavaliação toxicológica do paraquate pela Anvisa] em 23 de outubro de 2017 a suíça Public Eye divulgou o amplíssimo relatório toxicológico Paraquat: Unacceptable health risks for users1, em sua 3ª edição de março de 2011.

 

2011 Paraquat: Unacceptable... by Rudmar Luiz Pereira dos Santos on Scribd

 

Ocorre que órgãos governamentais têm a obrigação legal, a bem do interesse público, de avaliar os riscos nas condições prevalecentes de uso de agrotóxicos perigosos. Tais órgãos também têm a obrigação legal de identificarem as medidas capazes de reduzir os riscos de agrotóxicos e considerarem o imediato cancelamento daqueles que oferecem inaceitáveis riscos para os trabalhadores, ainda mais quando os padrões de proteção disponíveis não sejam suficientes para minimizarem esses riscos. Na maioria dos países e, lamentavelmente, no Brasil, é o caso do agrotóxico paraquate.

Depois de quase 60 anos de uso na agrícultura que possibilitou conhecer plenamente a toxicologia do agrotóxico paraquat para os seres humanos, é inaceitável que sua avaliação toxicológica possa se arrastar desde 2008 e, o que é pior, ao seu término tenha sido anuída uma carência suplementar de três anos para sua efetiva proibição no Brasil. 

 

Public Eye

Lobby formiert sich?2

Executive summary

 

The chemical herbicide paraquat is used by a large number of farmers and plantation workers. Paraquat is acutely toxic, causes a large amount of suffering and cannot be used safely under common working conditions. Paraquat should be phased out with immediate effect.

 

 

Paraquat can be absorbed by the skin, especially if skin has been exposed to the chemical. Acute poisoning may occur, but symptoms are often delayed. Damage to the lungs, for example, may not be evident until several days after absorption. There is no antidote against paraquat poisoning.

Localised skin damage or dermatitis, eye injury and nose bleed occur frequently among paraquat users, requiring medical treatment that is often not available.

Long-term exposure to low doses of paraquat is linked to changes in the lung and appears to be connected with chronic bronchitis and shortness of breath. Death can result from respiratory failure. Long-term exposure to paraquat has been associated with an increased risk of developing Parkinson's disease.

The level of exposure to paraquat that workers may experience is high enough to lead to absorption of an amount that can result in acute poisoning. High levels of paraquat found in urine of exposed workers indicate a considerable risk of poisoning. Paraquat's potential damage to skin, and its absorption through skin, is therefore serious.

Fatal poisoning at the workplace (excluding accidental or intentional drinking of paraquat) occurred mostly when paraquat absorption through skin increased after prolonged contact with undiluted or diluted paraquat solution.

Studies found that contamination of skin occurred through spills of the concentrate or from leaking spraying equipment, and could not be prevented by protective clothing. In many countries a high proportion of paraquat poisonings are not reported.

Birds and mammals have also been affected. Deaths of hares and reduced hatching of birds' eggs may arise from the use of paraquat as recommended.

Legislation on occupational safety and health is weak and not implemented in many countries. Education of workers in practices that reduce the risks of using paraquat, or pesticides generally, has reached only a small proportion of users and often not been ongoing.

Field studies have found that an acceptable exposure limit for operators was exceeded; they point to an insufficient safety margin for those applying paraquat from backpack sprayers. Protective equipment often cannot be afforded, is unavailable, or inappropriate and impractical to wear in a hot, humid tropical climate.

General working conditions are frequently incompatible with guidelines for chemical safety, especially in developing countries. During the handling and spraying of pesticides, the potential for high exposure is continually present. All these factors lead to a high risk for workers.

The application of paraquat, and other pesticides in WHO class Ia, Ib or II, by workers who use manual sprayers and who are largely unprotected, poses unacceptable risks to health.

The problem of suicides by the misuse of pesticides is different from that of unintentional poisonings in the workplace. Different measures are required to address both issues.

Governments need to assess the risks of hazardous pesticides under prevailing conditions of use. They should identify measures for reducing risk and consider withdrawing the authorisation of products where the risk to users is high, and standards of protection are not sufficient to reduce the risk. For paraquat this continues to be the case in the majority of countries, especially in the South.

 

Conclusion and key recommendations

This extensive review of the impacts of paraquat, largely from peer-reviewed studies,concludes that the pesticide causes daily suffering to an extremely large number of farmers and workers. Problems resulting from paraquat exposure are found around the world: from the United States to Japan and from Costa Rica to Malaysia. The injuries suffered are debilitating and sometimes fatal. Associated chronic health problems are now being identified. In developing countries in particular, paraquat is widely used under high-risk conditions. Problems of poverty are exacerbated by exposure to hazardous chemicals, as users have no means to protect themselves. Personal protective equipment is not available; it is costly and impossible to wear in hot working conditions. Loss of wages or income from illnesses caused by occupational exposure to pesticides is rarely compensated. While education, training and information are urgently needed to avoid poisonings, the basic problem is the use of high-risk chemicals like paraquat under poor and inappropriate conditions. The report concludes that alternatives are available and their implementation must become a priority, along with a phase out of paraquat. Key recommendations (see page 69 for full recommendations) are:

 

1. Paraquat should be immediately prohibited in developing countries. This is vital in view of the number of fatal poisonings that have occurred with undiluted and diluted paraquat and the inadequate work safety standards due to lacking resources and tropical climates.

2. As poisonings with paraquat at the workplace also occur in the North, paraquat clearly presents a serious hazard to humans and the environment wherever it is used. It should be phased out in all countries to prevent unacceptable harm.

3. As long as it continues to be marketed, paraquat's trade should be regulated at the international level within the PIC procedure. A number of countries have already decided to ban paraquat or severely restrict its availability, and many companies have prohibited its use in crops they grow or purchase, showing that, showing that there are less hazardous alternatives to paraquat.

4. The World Health Organization should reassess the hazard classification of paraquat.

 

__________

 Neumeister L & Isenring R (2011): Paraquat. Unacceptable health risks for users. 3rd Edition. Berne Declaration, Pesticide Action Network UK, PAN Asia and the Pacif.

1 Tradução livre:

 

Public Eye

O lobby está se formando?

Sumário executivo

 

O agrotóxico paraquat é um herbicida usado nas plantações por um grande número de agricultores e trabalhadores. O paraquate é extremamente tóxico, causa um grande quantidade de sofrimento e não pode ser usado com segurança em condições comuns de trabalho. O paraquate deve ser imediatamente proibido.

Em caso de exposição dérmica, o paraquate pode ser absorvido pela pele. Pode ocorrer intoxicação aguda, mas os sintomas muitas vezes aparecem posteriormente. Dano aos pulmões, por exemplo, podem não ser evidentes até vários dias após a absorção. Não há antídoto contra a intoxicação por paraquate.

Dano cutâneo localizado ou dermatite, lesão ocular e sangramento do nariz ocorrem freqüentemente entre os usuários do paraquate, exigindo tratamento médico que muitas vezes não está disponível. A exposição prolongada a baixas doses de paraquat está ligada à alterações no pulmão e parece relacionar-se com bronquite crônica e falta de ar. A morte pode resultar de insuficiência respiratória.

A exposição a longo prazo ao paraquate foi associado a um aumento do risco de Mal de Parkinson.

O nível de exposição ao paraquat que os trabalhadores podem experimentar é alto, o suficiente para ocasionar a absorção de uma quantidade que pode resultar em intoxicação aguda. Níveis elevados de paraquate encontrados na urina dos trabalhadores expostos indicam um considerável risco de envenenamento. O potencial de dano do paraquate à pele e sua absorção através da pele, é, portanto, sério.

Ocorre a intoxicação fatal por paraquate no local de trabalho (excluindo sua ingestão acidental ou intencional) principalmente quando sua absorção ocorre através da pele, e é aumentada após contato prolongado com solução de paraquate diluída ou não diluída.

Estudos descobriram que a contaminação da pele ocorreu através de derrames de paraquate concentrado ou de vazamento do equipamento de pulverização e poderiam não ser prevenidos por roupas de proteção individual. Em muitos países uma alta proporção de intoxicações por paraquat não é oficialmente relatada.

As aves e os mamíferos também são afetados. As mortes de lebres e a redução de incubação de ovos de aves podem resultar do uso inadequado do paraquate.

A legislação em matéria de segurança e saúde no trabalho é fraca e não é implementada em muitos países. A educação dos trabalhadores para o uso de práticas que podem reduzir os riscos do uso de paraquate, ou de agrotóxicos em geral, atingiu apenas uma pequena proporção de usuários e, muitas vezes, não está em andamento.Estudos de campo descobriram que um limite de exposição aceitável para os trabalhadores foi excedido; eles apontam para uma margem de segurança insuficiente para aqueles que aplicam paraquate via pulverizadores costais. O equipamento de proteção individual muitas vezes não é oferecido, não está disponível ou seu uso é inapropriado e impraticável em clima tropical quente e úmido.

As condições gerais de trabalho são frequentemente incompatíveis com diretrizes de segurança para agrotóxicos, especialmente nos países em desenvolvimento. Durante o manuseio e a pulverização de agrotóxicos, está continuamente presente alto potencial de exposição. Todos esses fatores levam a um alto risco para os trabalhadores.

A aplicação de paraquat e outros agrotóxicos da classe Ia, Ib ou II da OMS, por trabalhadores que utilizam pulverizadores manuais e que são amplamente desprotegidos, traz riscos inaceitáveis ​​para a saúde.

O problema dos suicídios pelo uso indevido de agrotóxicos é diferente do de intoxicações involuntárias no local de trabalho. São necessárias diferentes medidas para resolver ambos os problemas.

Os governos precisam avaliar os riscos nas condições prevalecentes de uso de agrotóxicos perigosos. Eles devem identificar medidas para reduzir o risco e considerar cancelar o registro de agrotóxicos em que o risco para os trabalhadores é alto e os padrões de proteção não são suficientes para reduzir o risco. Para o paraquate, este continua a ser o caso na maioria dos países, especialmente no [Hemisfério] Sul.

 

Conclusão e principais recomendações

Esta extensa revisão dos impactos do paraquat, em grande parte a partir de estudos revisados por pares, conclui que este agrotóxico causa sofrimento diário a um número extremamente grande de agricultores e trabalhadores. Os problemas resultantes da exposição do paraquat são encontrados em todo o mundo: dos Estados Unidos ao Japão e da Costa Rica para Malásia. As lesões sofridas são debilitantes e às vezes fatais. Os problemas crônicos de saúde associados estão agora sendo identificados. Nos países em desenvolvimento, em particular, o paraquat é amplamente utilizado em condições de alto risco. As condições de pobreza exacerbam os problemas de exposição aos agrotóxicos perigosos, já que os trabalhadores não têm meios para se protegerem. O equipamento de proteção individual não está disponível; é dispendioso e, em clima quente, é impossível de ser usado em condições de trabalho. Perda de salário ou renda causada devido à exposição ocupacional aos agrotóxicos raramente é compensada. Enquanto a educação, o treinamento e a informação são urgentemente necessárias para evitar intoxicações, o problema básico é o uso de agrotóxicos de alto risco como paraquate em condições precárias e inadequadas. O relatório conclui que alternativas estão disponíveis e suas implementações devem se tornar uma prioridade, juntamente com a revisão da situação do paraquate. As principais recomendações (veja a página 69 para obter as recomendações completas) são:

 

1. O paraquate deve ser imediatamente proibido nos países em desenvolvimento. Isto é vital em vista de o número de intoxicações fatais que ocorreu com o agrotóxico paraquate não diluído e diluído e os padrões inadequados de segurança do trabalho devido à falta de recursos e uso em climas tropicais.

2. Como as intoxicações pelo agrotóxico paraquat no local de trabalho também ocorrem no [Hemisfério] Norte, este claramente apresenta um sério perigo para os seres humanos e ao ambiente onde quer que seja usado. Deveria ser eliminado em todos os países para evitar danos inaceitáveis.

3. Enquanto continuar registrado, o comércio do paraquat deve ser regulado no nível internacional dentro do procedimento PIC. Um grande número de países já decidiu proibir o paraquat ou restringir severamente a sua disponibilidade, e muitas empresas proibiram o seu uso em culturas que cultivam ou compram, mostrando que existem alternativas menos perigosas para o paraquate.

4. A Organização Mundial da Saúde deve reavaliar a classificação de perigo do paraquat.

 

Modificado em 31-12-2019 em 09:10

 

Notícias vinculadas:

16-8-2020 - Repórter Brasil & Anvisa atropela as próprias regras e pode voltar a autorizar agrotóxico letal [Agência colocou em pauta a revisão do paraquate, agrotóxico proibido na União Europeia e com data para ser banido no Brasil. Pesquisa usada como argumento pela indústria foi suspensa pela Unicamp. Contrariando resolução da própria agência e atropelando normas internas sobre transparência e participação, a Anvisa pode reverter nesta semana a proibição de um dos agrotóxicos mais letais do mundo. O paraquate é proibido na União Europeia e está com data marcada para ser banido no Brasil: 22 de setembro deste ano. Classificado como extremamente tóxico, o órgão regulador decidiu proibi-lo em 2017 devido a evidências de que ele gera mutações genéticas e doença de Parkinson nos trabalhadores que o aplicam. Faltando pouco mais de um mês para a proibição, porém, a agência reguladora violou suas próprias regras para incluir a revisão desta data na pauta de uma reunião da diretoria colegiada. A reunião está marcada para esta terça dia 18. A primeira norma violada é a que garante transparência ao processo, afirma o procurador federal Marco Antônio Delfino, do Ministério Público Federal do Mato Grosso do Sul, que entrou com uma ação pedindo a suspensão da pauta. O maior problema é que, oficialmente, ninguém sabe quais são os motivos que levaram a Anvisa a colocar a revisão em pauta. Segundo o regimento do próprio órgão, os documentos e informações que vão subsidiar a tomada de decisão devem ser divulgados sete dias antes de cada reunião. Mas as informações da reunião sobre o paraquate nunca foram publicadas. (...)]

19-12-2019 - Repórter Brasil & Empresas estrangeiras desovam no Brasil agrotóxico proibido em seus próprios países [Anvisa decidiu em 2017 proibir o paraquate por risco de provocar Parkinson. Mas desde então, ritmo de importação só aumentou, e restrições foram afrouxadas por pressão de empresas de agrotóxicos. Ele começou com febre e coceira. Depois ficou suando frio, teve diarréia, a pressão caiu. Corremos pro hospital. A pele dele então ficou toda queimada e foi soltando do corpo. Mal consigo lembrar”, conta emocionado o produtor de leite paranaense José Quintino sobre o filho Júlio, que morreu em 2016 em Cascavel (PR) quando tinha 22 anos. "Veio médico de tudo que é parte, mas já não tinha jeito. Aos poucos, ele parou de respirar. Falaram que o pulmão dele tava inteiro queimado." Confirmada como causa da morte, a insuficiência pulmonar foi provocada por intoxicação aguda por agrotóxico. "O paraquate queimou o pulmão dele. Foi queimando a pele, as mucosas orais e nasais, indo até os alvéolos [pulmonares]. Esse é um agrotóxico de ação secante, seca e queima as folhas, faz o mesmo com a pele, as mucosas, o pulmão", afirmou a médica epidemiologista Lilimar Mori, chefe da Divisão de Vigilância em Saúde da Secretaria da Saúde do Paraná e uma das responsáveis por confirmar que o agrotóxico foi a causa da morte de Júlio, contaminado ao descarregar cascas de soja com paraquate. Foi por causa dos riscos de intoxicação aguda do produto que envenenou Júlio, assim como sua relação com doenças como Parkinson, mutações genéticas e depressão, que a Anvisa decidiu em 2017 banir o paraquate, usado na dessecação de plantações para antecipar a colheita. A partir de setembro de 2020, nenhum litro do agrotóxico deve ser usado em solo brasileiro. Apesar das evidências dos riscos, a resolução da Anvisa não fixou metas de redução de uso, de finalização de estoques e nem de importação do paraquate até sua completa suspensão. Sem esse limite, o ritmo de importação do agrotóxico só aumentou desde o início do processo de banimento, conforme apuraram Repórter Brasil e Agência Pública. E essa brecha abriu espaço para um processo que os pesquisadores chamam de “desova”, porque quase que a totalidade do paraquate usado aqui vem de países onde seu uso está proibido.(...)]

 

 

10-12-2018 - Por trás do alimento & Contaminação recorde por agrotóxicos no Paraná atinge mais de 50 crianças [Nuvem de Paraquate, potencialmente fatal, intoxicou 96 pessoas, a maioria crianças que estavam em escola vizinha à área de plantação]

 

 

9-11-2018 - Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) & O relatório da ONU contra os agrotóxicos não pode ser esquecido ["Usar mais agrotóxicos não tem nada a ver com a eliminação da fome. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), somos capazes de alimentar 9 bilhões de pessoas hoje. A produção está definitivamente aumentando, mas o problema é a pobreza, a desigualdade e a distribuição [de alimentos]". — Hilal Elver, relatora especial da ONU sobre o direito à alimentação  & The UN report against pesticides can't be forgotten & "Using more pesticides has nothing to do with the elimination of hunger. According to the United Nations Food and Agriculture Organization (FAO), we're able to feed 9 billion people today. The production is definitely increasing, but the problem is poverty, inequality and distribution [of food]". — Hilal Elver, UN Special rapporteur on the right to food]

6-5-2018 - Rede Brasil Atual & MPF aponta série de inconstitucionalidades no 'Pacote do Veneno' [Relatório do ruralista Luiz Nishimori, que deve ser votado nesta terça (8), ignora os efeitos à saúde e ao meio ambiente e permite o registro de produtos que causam câncer e malformações]

29-3-2018 - Sputnik & Agrotóxicos não são regulados de maneira satisfatória no Brasil, diz ex-gerente da Anvisa [Os alimentos que os brasileiros comem e o meio ambiente estão expostos a possíveis contaminações por agrotóxicos porque o Brasil não faz uma regulação eficiente do setor, afirma Luiz Cláudio Meirelles - pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e ex-gerente Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)]

26-3-2018 - Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) & Agrotóxico paraquate: The Intercept Brasil denuncia “66 dias de lobby” ["A própria Anvisa mudou o seu parecer em fins de novembro, autorizando o uso do composto até 2020. Além disso, a agência suavizou textos que devem ser exibidos no rótulo do agrotóxico" — The Intercept Brasil]

26-3-2018 - The Intercept Brasil & 66 dias de lobby: Uma máquina de pressão fez a  Anvisa voltar atrás e liberar um perigoso agrotóxico [A Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa, proibiu no Brasil em setembro do ano passado, o uso de um agrotóxico chamado paraquate. O produto – popular nas lavouras como dessecante, uma técnica que acelera a maturação de plantas antes da colheita – provoca a morte em caso de intoxicação grave e está ligado ao aumento da incidência da doença de Parkinson. Um parecer da Anvisa já havia indicado a proibição, argumentando que “há plausibilidade científica da associação entre a exposição ao Paraquate e a Doença de Parkinson quando se considera, em conjunto, os indícios presentes nos estudos”. Ele foi reavaliado a pedido dos produtores do componente químico. Novamente, a proibição venceu]

 

 

20-3-2018 - Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) & Iniciado controle eletrônico do agrotóxico Paraquate [Controle do Paraquate e seus termos de responsabilidade serão feitos por sistema eletrônico a partir do dia 22 de março] 

9-3-2018 - The Intercept Brasil & Aprovação de agrotóxicos pode sair das mãos dos cientistas e parar no colo dos políticos [Governo Federal e o Congresso podem acelerar uma fila silenciosa que afeta diretamente a saúde: o processo de liberação de agrotóxicos. A bancada ruralista tem como prioridade a votação de um Projeto de Lei que acaba com o poder de veto de órgãos técnicos como a Anvisa e o Ibama na aprovação dos componentes químicos]

 

 

1-12-2017 - Justificando & Agrotóxicos: o setor econômico do veneno não dorme [(...) Já há robusto conhecimento científico de entidades que não são patrocinadas pelo setor do veneno, como o INCA, a FIOCRUZ, a ABRASCO e a USP. Há inclusive um Atlas dos Agrotóxicos no Brasil, de autoria da Profa. Dra. Larissa Bombardi. Ainda assim, a população segue entorpecida ou alienada pela propaganda e pelas mensagens que escondem ou tentam amenizar os efeitos de produtos desenvolvidos para exterminar a vida, originalmente nas guerras. (...)]

17-11-2019 - Campanha permanente contra os agrotóxicos e pela vida & Ato de repúdio à bancada ruralista cancela reunião de parlamentares com governo suíço [O Brasil juntou-se à lista dos Estados que proíbem o uso do herbicida Paraquat devido a sua elevada toxicidade. A Syngenta, seu principal fabricante, toma medidas para convencer as autoridades brasileiras a rever sua decisão. Informações confidenciais mostram que a multinacional com sede na Basiléia participou da organização de uma viagem de parlamentares brasileiros influentes à Suíça, em colaboração com as autoridades desse país. A delegação deveria ter sido recebida hoje em Berna pelo Secretário de Estado de Ensino, Pesquisa e Inovação. Devido à presença da Public Eye e Multiwatch, que protestaram contra a participação da Suíça nos esforços de lobbying da Syngenta a fim de promover pesticidas perigosos proibidos no próprio território, o encontro foi cancelado à última hora. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária brasileira (ANVISA) decidiu, no dia 19 de setembro, proibir o Paraquat devido a vários casos de envenenamento, a suas ligações confirmadas com a doença de Parkinson e a seu potencial mutagênico. Um golpe duro para Syngenta, que realiza mais de metade de suas vendas de Paraquat no Brasil. Sob pressão do poderoso lobby agroindustrial, a entrada em vigor dessa proibição foi adiada para 2020. E poderá ser questionada se estudos provando a inocuidade do produto forem apresentados até lá. A Syngenta toma medidas nos bastidores para convencer as autoridades brasileiras a rever essa proibição e a flexibilizar a regulamentação em vigor. Um grupo de parlamentares brasileiros estão atualmente na Suíça para descobrir "as receitas de sucesso da Suíça em matéria de inovação", a convite da Câmara de Comércio Suíça-Brasil. Documentos internos mostram que a Syngenta está manobrando. A maioria dos participantes fazem parte da "Frente Parlamentar da Agropecuária", ou Bancada Ruralista, que defende os interesses do agronegócio no parlamento brasileiro. Desempenharam um papel fulcral para fazer a ANVISA rever suas ambições no tocante à proibição do Paraquat. Esse grupo está igualmente na origem de um projeto de lei destinado a retirar-lhe suas competências em matéria de homologação de pesticidas, a fim de as atribuir somente ao Ministério da Agricultura, dirigido por Blairo Maggi, o muito controverso "rei da soja". O Brasil é um mercado prioritário para Syngenta: suas vendas de pesticidas atingem aproximadamente 2 bilhões de dólares por ano, ou seja 20% de seu faturamento neste domínio. A Confederação Suíça apoiou oficialmente a organização dessa viagem. A delegação deveria ter sido recebida hoje pelo Secretário de Estado da Ensino, Pesquisa e Inovação, Mauro Dell'Ambrogio. Devido à presença da Public Eye e Multiwatch, que protestaram contra a participação da Suíça nos esforços de lobbying de Syngenta a fim de promover pesticidas perigosos proibidos no próprio território, o encontro foi cancelado à última hora. Em uma carta endereçada ao conselho federal Schneider-Ammann, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida do Brasil denuncia essa duplicidade de critérios que representa uma violação dos direitos humanos. (...)]

17-11-2017 - Public Eye & Brazil bans paraquat – Switzerland supports Syngenta's behind-the-scenes lobbying [Brazil has joined the list of States that have banned the use of the pesticide called paraquat, on the grounds of its high level of toxicity. Syngenta is the main producer of paraquat. The company is actively lobbying to convince the Brazilian authorities to reverse their decision. Confidential information shows that the Basel-based giant participates in the organization of a visit for influential Brazilian parliamentarians to Switzerland, with the support of the Swiss authorities. The delegation should have been received today in Bern by the Secretary of State for Education, Research and Innovation. The meeting was cancelled at the last minute due to the presence of Public Eye and Multiwatch, who protested against the participation of Switzerland in Syngenta's lobbying efforts to promote dangerous pesticides that are banned in our country. The Brazilian National Sanitary Surveillance Agency (ANVISA) decided on 19th September to ban paraquat, due to the many cases of poisoning it has caused, as well as its links to Parkinson’s disease and its mutagenic potential. This was a serious blow to Syngenta, as over half its paraquat sales are made in Brazil. As a result of the pressure exerted by the powerful agribusiness lobby, the entry into force of the ban has now been postponed until 2020. It might even be overturned if studies proving the safety of paraquat were to be presented in the interim period. Syngenta is being active behind the scenes to convince the Brazilian authorities to reconsider the ban and make the existing regulations more flexible. A group of Brazilian parliamentarians are currently visiting Switzerland to discover "the secrets of the success of Swiss innovation". They have been invited by the Swiss-Brazilian Chamber of Commerce. Internal documents show that Syngenta is behind these manoeuvres. Most of the participants in the delegation are members of the "Agricultural Front" that defends the interests of agribusiness in the Brazilian Parliament. The group has played a crucial role in pushing ANVISA to scale down its ambitions regarding the ban on paraquat.. It is also behind a draft law aimed at taking away from ANVISA much of its responsibilities regarding pesticide approval, and reassigning them to the Ministry of Agriculture, which is headed by the highly controversial "Soybean King", Blairo Maggi. Brazil is a key market for Syngenta: its pesticide sales reach 2 billion dollars a year, approximately 20% of its turnover in this field. The Confederation has officially supported the organisation of this visit. (...)]

17-11-2017 - Public Eye & Brazil bans paraquat – Switzerland supports Syngenta’s behind-the-scenes lobbying [In September, Brazil joined the list of countries having banned paraquat because of its acute and chronic toxicity. The ban will enter into force in 2020, following a three-year transition period. But this decision could be called into question if new studies persuade the authorities before then that the product is safe to use. Everything indicates that the agribusiness lobby is already hard at work behind the scenes to try and persuade the Brazilian authorities to reconsider their decision. (...) A ubiquitous lobby — As a result of the pressure exerted by the powerful agribusiness lobby, the entry into force of the ban on paraquat has now been postponed until 2020. The Brazilian authorities may also revert their decision if new studies demonstrating the safety of paraquat, particularly with regard to its mutagenic effects, are published. In a report published in 2017, ANVISA tells of the high levels of pressure it has been subjected to since it presented its findings. The Ministry of Agriculture and the "Parliamentary Front for Agriculture" in particular have allegedly repeatedly prompted it to reconsider its proposal to ban paraquat. In addition, a working group composed primarily of the Pesticide Producers' Association was set up, which subsequently played "an active role in all stages of the paraquat re-assessment process" during "regular meetings" held with ANVISA. The Front for Agriculture, which protects the interests of agribusiness in parliament, provided a good half of the votes required to impeach Dilma Rousseff and allow Temer to take office in August 2016. This group played a crucial role in pushing ANVISA to scale down its ambitions regarding the ban on paraquat. It also spearheaded a bill seeking, on the one hand, to remove a provision from the regulation that prevents authorisations from being granted with regard to pesticides that are clearly carcinogenic and mutagenic, and, on the other, to take away from ANVISA much of its authority concerning the placing of pesticides on the market in Brazil in order to reassign such authority to the Ministry of Agriculture, headed by the controversial "soybean king" Blairo Maggi. (...)]

30-10-2017 - Brasil de Fato & O Brasil proíbe o paraquat; o lobby prepara-se [A luta apenas começou, mas a decisão das autoridades brasileiras é um golpe duro para empresa suiça Syngenta]

23-10-2017 - Public Eye & Brasilien verbietet Paraquat – Lobby formiert sich [Ein wichtiger Entscheid in einem wichtigen Markt: Brasilien hat beschlossen, das Syngenta-Herbizid Paraquat aufgrund seiner gesundheitsschädigenden Wirkung zu verbieten – nach einer dreijährigen Übergangsfrist. Allerdings könnte das geplante Verbot verhindert werden, wenn bis dahin neue Studien die Behörden von der Unbedenklichkeit des Paraquat-Einsatzes überzeugen. (...)]

6-10-2017 - De Olho nos Ruralistas & Agrotóxicos causam má-formação em bebês no Brasil e nos EUA, apontam estudos [Pesquisas mostram que tem aumentado risco de deformidades congênitas; abortos espontâneos no Paraná também estão relacionados ao uso de pesticidas] 

29-8-2017 - Nature & Agricultural pesticide use and adverse birth outcomes in the San Joaquin Valley of California [Abstract — Virtually all agricultural communities worldwide are exposed to agricultural pesticides. Yet, the health consequences of such exposure are poorly understood, and the scientific literature remains ambiguous. Using individual birth and demographic characteristics for over 500 000 birth observations between 1997–2011 in the agriculturally dominated San Joaquin Valley, California, we statistically investigate if residential agricultural pesticide exposure during gestation, by trimester, and by toxicity influences birth weight, gestational length, or birth abnormalities. Overall, our analysis indicates that agricultural pesticide exposure increases adverse birth outcomes by 5–9%, but only among the population exposed to very high quantities of pesticides (e.g., top 5th percentile, i.e., ~4200 kg applied over gestation). Thus, policies and interventions targeting the extreme right tail of the pesticide distribution near human habitation could largely eliminate the adverse birth outcomes associated with agricultural pesticide exposure documented in this study. (...)]

21-8-2017 - Scielo & Associação entre malformações congênitas e a utilização de agrotóxicos em monoculturas no Paraná, Brasil [RESUMO — O objetivo deste artigo é analisar a associação entre o uso de agrotóxicos e as malformações congênitas em municípios com maior exposição aos agrotóxicos no estado do Paraná, Brasil, entre 1994 e 2014. Estudo de abordagem quantitativa, ecológico, conduzido com informações dos nascidos vivos (Sinasc/Ministério da Saúde),elaborando-se taxas de malformações ocorridas de 1994 a 2003 e de 2004 a 2014. Foi encontrada uma tendência crescente nas taxas de malformação congênita no estado do Paraná, com destaque aos municípios de Francisco Beltrão e Cascavel. Essas malformações congênitas podem ser advindas da exposição da população a agrotóxicos,sendo uma sinalização expressiva nos problemas de saúde pública. (...)]

25-4-2017 - Justificando & Agrotóxicos, violações de direitos e estado de exceção [(...) Desde a edição da Lei de Agrotóxicos nº 7.802 de 11 de julho de 1989, várias forças políticas de representação do modelo hegemônico de produção na agricultura tentam desmontar o ordenamento protetivo construído e atualmente circulam mais de 50 Projetos de Lei que propõem alterações na referida norma ou mesmo a sua revogação. Todavia, para atender aos interesses da indústria dos representantes do agronegócio, o Governo Federal pretende acelerar o desmonte dessa legislação através da edição de uma Medida Provisória que possibilitaria o uso de venenos atualmente proibidos no país. (...)]