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Estudo mostra que o vírus SARS-CoV-2 não é capaz de infectar peixes, aves ou répteis vivos

No entanto, é preciso conhecer o inter-relacionamento entre o vírus SARS-CoV-2 e a indústria de animais

 

Imagem SARS CoV 2

Crédito imagem: NPR [O coronavírus COVID-19 é visto em amarelo, emergindo de células (em azul e rosa) cultivadas em laboratório. Esta imagem é de um microscópio eletrônico de varredura. NIAID-RML]

 

Os achados do estudo "A previsão é que a proteína spike da SARS-CoV-2 forme complexos estáveis com ortólogos1 de proteínas receptoras em hospedeiros mamíferos, mas não em peixes, aves ou répteis" (SARS-CoV-2 spike protein predicted to form stable complexes with host receptor protein orthologues from mammals, but not fish, birds or reptiles) publicado na bioRxiv em 11 de maio de 2020, é muito importante e, evidentemente, mais estudos nesse sentido devem estar a caminho.

 

2020.05.01.072371v2.full by Rudmar Luiz Pereira dos Santos on Scribd

 

No entanto, também é necessário conhecer o inter-relacionamento entre o vírus SARS-CoV-2 e a indústria de animais, especialmente, como ele se comporta (sobrevivência, potencial de infeccionar pessoas etc.) nos produtos de origem animal derivados dessa indústria. 

O resumo do estudo:

 

[Tradução livre] A pandemia global da doença de coronavírus 2019 (COVID-19) é causada pela síndrome respiratória aguda grave coronavírus 2 (SARS-CoV-2).

O SARS-CoV-2 tem uma origem zoonótica e foi transmitido aos seres humanos através de um hospedeiro intermediário indeterminado, levando a infecções em seres humanos e outros mamíferos.

Para entrar nas células hospedeiras, o trímero de glicoproteína da espícula viral [proteína spike (S)] se liga ao seu receptor [existente na superfície das células humanas], a enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2), e é então processado pela protease transmembrana serina 2 (TMPRSS2).

Embora a ligação ao receptor (na célula) contribua para a gama de hospedeiros virais, as alterações na energia entre a proteína spike:complexos estáveis ACE2 em outros animais não foram amplamente exploradas.

Aqui, analisamos as interações entre a proteína spike e os ortólogos(*) da ACE2 e da TMPRSS2 de uma ampla gama de 215 espécies de vertebrados.

Utilizando modelos de complexos de proteína spike:ortólogo ACE2, foi calculado suas alterações na energia, correlacionadas aos dados de infecção por COVID-19 de mamíferos. Nos vertebrados, prevê-se que as mutações tenham mais impacto na função do ACE2 do que a TMPRSS2.

Finalmente, fornecemos análises filogenéticas2 demonstrando que as cepas humanas de SARS-CoV-2 foram isoladas em animais. Nossos resultados sugerem que o SARS-CoV-2 pode infectar uma ampla gama de mamíferos, mas não peixes, pássaros ou répteis. Animais suscetíveis podem servir como reservatórios do vírus, exigindo cuidadoso gerenciamento e vigilância contínuos dos animais.

 

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1 "Os genes ortólogos são os genes que possuem a mesma função e uma origem em comum, tendo se separado no surgimento de uma nova espécie, ou seja, durante o processo de especiação." (Brainly)

2 "Em biologia, filogenia é o estudo da relação evolutiva entre grupos de organismos, que é descoberto por meio de sequenciamento de dados moleculares e matrizes de dados morfológicos." (Wikipédia)

 

Matéria relacionada:

1-6-2020 - Nature & What’s the risk that animals will spread the coronavirus? [Researchers say there’s an urgent need to find out whether animals can catch the virus and pass it to people]