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Reino Unido: proibição do trânsito de animais pode ser economicamente prejudicial

Um estudo realizado por pesquisadores das universidades de Warwick e Bristol e do Colégio Imperial de Londres concluiu que a proibição do trânsito de animais em ampla escala, como forma de controle de surtos de doenças, pode se mostrar economicamente prejudicial 

 

 FMD note

Crédito imagem: Wikipedia & 2001 United Kingdom foot-and-mouth outbreak

  

Com base na notícia Pig movement bans may be economically damaging (por Vincent ter Beek) do Pig Progress de 21 de agosto de 2019, esta é a conclusão do estudo The role of movement restrictions in limiting the economic impact of livestock infections publicado na Nature Sustainability, que se concentrou nos problemas da febre aftosa, da tuberculose bovina e do vírus da febre catarral ovina (língua azul). 

Em 2011, Reino Unido sofreu de um surto de febre aftosa, ocasião em que o trânsito de animais suscetíveis foi proibido em um esforço da fiscalização agropecuária britânica para evitar a propagação desta doença. Igualmente, em 2007, um surto de vírus da língua azul levou à proibição em larga escala do trânsito de ovinos em todo o leste da Inglaterra.  

 

Impacto amplo e profundo sobre os agricultores 

Conforme a notícia, dado que a indústria pecuária depende do movimento de animais (entre criações ou das criações aos frigoríficos) para obter lucro, a proibição do trânsito de animais pode ter um "impacto amplo e profundo nos agricultores". 

Em 2011, a "mensagem geral de que 'o campo estava fechado'" também resultou em enormes perdas à indústria do turismo da Grã Bretanha. 

Esse estudo concluiu que a atual política do governo do Reino Unido de proibir o trânsito nacional de animais quando, por exemplo, um surto de febre aftosa é detectado, pode causar "danos econômicos desnecessários, quando uma proibição de trânsito mais localizada poderia ser tão bem-sucedida em deter a propagação dessa doença e limitaria o subsequente impacto negativo econômico".  

 

 

O exame das consequências derivadas das opções de controle 

Conforme a notícia, os pesquisadores, liderados por Mike Tildesley da Universidade de Warwick, "usaram modelos preditivos para o exame das consequências das diferentes opções de controle". A equipe de pesquisadores argumentou que, "embora o trânsito pecuário traga o risco de disseminação de longo alcance da doença, esse risco é mais forte em criações circunvizinhas às infecções detectadas"; portanto, "uma proibição de trânsito limitada",  ou seja, apenas impedindo o trânsito de animais entre criações próximas aos casos conhecidos, "traz a maioria dos benefícios com menos prejuízos econômicos". 

Na Grã Bretanha a não implementação automática da proibição nacional do trânsito animal em caso de surto de febre aftosa pouparia as regiões geográficas não afetadas, assim sendo, elas não sofreriam o mesmo impacto econômico causado nas áreas sob restrição sanitária.   

Em consequência, embora uma proibição nacional do trânsito de animais "tenha sido uma resposta inicial apropriada ao surto de febre aftosa de 2001, dada sua natureza amplamente dispersa", essa política "causou danos econômicos potencialmente evitáveis".  

"A proibição ótima do trânsito de animais" é a localizada 

Em um comunicado de imprensa no site da Universidade de Warwick, Tildesley afirmou que o estudo indicou que "os controles de trânsito precisam ser cuidadosamente combinados com as consequências epidemiológicas e econômicas da doença" e que a proibição ideal não é a nacional, mas a localizada.  

"Por exemplo, nosso trabalho sugere que as proibições de movimento [restritas] entre 15-60km são ideais para a febre aftosa" (com raios maiores preferíveis se os prejuízos do turismo podem ser ignorados), enquanto para a língua azul a "melhor política é permitir todo o trânsito".  

Ainda, segundo Tildesley, a adoção da proibição ótima do trânsito de animais "poderia levar a uma grande economia em comparação com políticas mais rigorosas" e que a equipe de pesquisadores reconhece plenamente a necessidade de o governo [britânico] "conter rapidamente novos surtos de doenças diante da incerteza, mas nosso trabalho sugere que a proibição ótima de trânsito deve ser [pelo governo] sancionadas o quanto anos".  

Conforme a notícia, os pesquisadores também analisaram a tuberculose bovina, e concluíram que o "custo econômico de qualquer proibição de trânsito é mais do que os benefícios epidemiológicos;  no entanto, se os testes forem suficientemente baratos, um programa localizado de testes em torno das criações infectadas pode ser economicamente viável em longo prazo". 

 

 

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