Afisa-PR

Cientistas independentes alertam que o agrotóxico clorpirifós causa danos cognitivos em crianças

"Quanto vale a saúde do seu filho? A resposta vinda da administração da Agência de Proteção Ambiental dos EUA é: não muito." (Carey Gillam)

 

Clorpirifos danos neurotoxicos criancas

 Crédito imagem: KHN

 

Segundo a notícia Neurotoxins on your kid's broccoli: that's life under Trump (por Carey Gillam1) do The Guardian de 21 de julho de 2019, o administrador da Environmental Protection Agency (EPA), Andrew Wheeler, confirmou esta semana o que muitos americanos já sabem: "quando a administração Trump pondera os interesses que concorrem com os lucros das corporações versus a saúde pública, as corporações ganham, sem dúvida".

Segundo a notícia, Wheeler anunciou na última quinta-feira que apesar de os cientistas independentes afirmarem que existe uma abundância de evidências que vinculam os agrotóxicos à base de clorpirifós2 ao dano neurológico em crianças, este ingrediente ativo deve continuar a ser comercializado e a ser usado por agricultores que cultivam alimentos regularmente consumidos pelas crianças, incluindo maçãs3, uvas, brócolis3 e cerejas.

A decisão da EPA surge quando os resíduos de clorpirifós nos alimentos e na água estão entre as exposições conhecidas pelos cientistas que contribuem com uma série de problemas cognitivos em crianças, como a diminuição do quociente de inteligência (QI). Estudos mostram que mesmo a exposição ao clorpirifós de mulheres grávidas pode ter um impacto prejudicial sobre seus filhos.

 

 

Wheeler sustenta "que os dados mostram os danos não são completos ou 'confiáveis'", e a agência por ele administrada continuará monitorando essa questão por pelo menos mais três anos. Esta decisão contradiz a posição de quatro anos atrás da própria EPA, quando sustentou que "não poderia mais apoiar a segurança4 do agrotóxico clorpirifós nos alimentos e na água potável, como é exigido pela Lei Federal de Alimentos, Medicamentos e Cosméticos (FFDCA)" dos EUA. "A evidência científica justifica a proibição do comércio e do uso agrícola do agrotóxico clorpirifós, assim como há quase duas décadas este agrotóxico já foi banido do uso doméstico devido aos perigos conhecidos", segundo a própria EPA.

A decisão de proibir o agrotóxico clorpirifós da agricultura foi fortemente contestada pela corporação Dow Chemical Co., que o comercializa deste 1965. "Mas foi apenas no início de 2017 que esta empresa encontrou um ouvido solidário em Washington, quando Donald Trump assumiu a presidência", conforme a notícia do The Guardian. "A Dow e seus lobistas da indústria química não perderam tempo ao usar seu dinheiro e suas mensagens para se apoiar na nova administração com um pedido para manter o lucrativo agrotóxico no mercado. Não doeu uma doação de US$ 1 milhão da Dow para o fundo inaugural de Trump", conforme a notícia do The Guardian.

"Os lobistas da Dow e da indústria química argumentaram que o clorpirifós era uma 'ferramenta crítica de controle de pragas' para os agricultores e afirmam que a ciência que mostra seus danos não foi suficiente para justificar a sua proibição", segundo a notícia do The Guardian. Esse ponto de vista da indústria química foi adotado pela administração da EPA, mesmo quando os defensores da saúde e do meio ambiente, incluindo a Academia Americana de Pediatria, advertiram "que o uso continuado do agrotóxico clorpirifós colocaria as futuras gerações dos EUA em perigo: fetos em desenvolvimento, bebês, crianças e mulheres grávidas correm mais riscos".

E se a ciência que mostra os danos desse agrotóxico às crianças não é suficiente para justificar a indignação pública, também há uma riqueza de evidências científicas mostrando que o clorpirifós afeta adversamente muitos animais criticamente ameaçados.

Vários estados nos EUA já estão se movendo para proibir o agrotóxico clorpirifós, incluindo o Havaí e Nova York.

 

 

O litígio sobre a questão do agrotóxico clorpirifós levou um tribunal de apelação federal dos EUA a ordenar à EPA que emitisse uma decisão final, que seu administrador Wheeler fez esta semana. E embora o anúncio da EPA "não tenha sido uma surpresa para os cientistas e profissionais de saúde que vêm acompanhando essa questão, isso consolidou para muitas pessoas um profundo pressentimento sobre o que o futuro reserva quando a ciência é desprezada para favorecer uma agenda de lucros corporativos".

"Os impactos econômicos e sobre a saúde humana são substanciais e reais", disse Leonardo Trasande, que dirige a divisão de pediatria ambiental dentro do Departamento de Pediatria da Universidade de Nova Iorque Langone Health. "A decisão da EPA de continuar a permitir o uso do clorpirifós nas dietas americanas é emblemática diante de uma ampla rejeição de evidências científicas relacionadas às questões de saúde humana" e que "Os ataques às normas científicas provavelmente continuarão inabaláveis", alertou Trasande.

"Então aqui estamos nós — com preocupações científicas para a segurança de nossas crianças inocentes e vulneráveis ​​de um lado e poderosos e ricos atores corporativos do outro. Nossos líderes políticos e reguladores mostraram quais são os interesses que eles mais valorizam", concluiu Carey Gillam em sua opinião no The Guardian.

 

 

Mother Jones: políticos norte-americanos contrários à proibição do clorpirifós receberam dinheiro da indústria de agrotóxicos

Com Base na notícia DowDupont Lavishes Campaign Cash On Politicians Who Voted Against a Ban on its Blockbuster Pesticide (por Tom Philpott) do Mother Jones de 24 de maio de 2019, em março de 2017, no início da administração Trump, o então administrador da Agência de Proteção Ambiental (EPA) foi forçado por uma ordem judicial a decidir se honraria o plano desta agência proibir o agrotóxico clorpirifos, um inseticida de grande sucesso usado em uma varidade de culturas. Os próprios cientistas da EPA o consideram perigoso para o desenvolvimento do cérebro das crianças mesmo em níveis muito baixos de exposição. Mesmo assim, a EPA decidiu mantê-lo no comércio.

Nos EUA, desde então, a luta pelo banimento do agrotóxico clorpirifós foi transferida para seu Congresso. Um projeto de lei da Câmara que visava proibir o clorpirifós nos EUA, de janeiro deste ano, atraiu 107 deputados. Acontece que, de acordo com documentos protocolados na Comissão Eleitoral Federal dos EUA, entre os 330 deputados da Câmara que escolheram não patrocinar o projeto de proibição do clorpirifós, 118 arrecadaram desde 2017 um total de US$ 379.651 do seu fabricante. Dos 107 apoiadores do projeto de lei, apenas 10 receberam dinheiro do fabricante, num total de US$ 14.000.

 

 

__________

1 Carey Gillam é jornalista, autora e pesquisadora do interesse público do US Right to Know, um grupo sem fins lucrativos que pesquisa nos EUA a indústria de alimentos.

2 Agrotóxico com monografia C20 - Clorpirifós autorizada no Brasil e com pelo menos 12 marcas comerciais cadastradas no âmbito do Estado do Paraná, conforme http://www.adapar.pr.gov.br/arquivos/File/GAT/lista.pdf, acesso em 24-5-2019.

3 De fato, mais da metade de todas as maçãs e brócolis nos EUA são pulverizados com clorpirifos.

4 Em novembro de 2016, a EPA divulgou uma avaliação revisada do risco à saúde humana para o clorpirifós que confirmou que não há usos seguros para o pesticida. A EPA descobriu que: a) Todas as exposições em alimentos excedem os níveis de segurança, com crianças de 1 a 2 anos expostas a níveis de clorpirifós que são 140 vezes o que a EPA considera segura; b) não há nível seguro de clorpirifos na água potável; c) a deriva de agrotóxicos atinge níveis inseguros a 300 pés (91,44 metros) da borda do campo de cultivo; d) o clorpirifos é encontrado em níveis inseguros no ar em escolas, casas e comunidades em áreas agrícolas; e) todos os trabalhadores que misturam e aplicam clorpirifós estão expostos a níveis inseguros deste agrotóxico, mesmo com o máximo de equipamentos de proteção individual e controles de engenharia e f) os trabalhadores de campo são autorizados a reentrar nos campos dentro de 1 a 5 dias após a pulverização do agrotóxico, mas exposições inseguras continuam em média 18 dias após as aplicações. Os trabalhadores rurais e as pessoas que vivem em comunidades agrícolas, particularmente crianças, são desproporcionalmente afetadas pelo clorpirifós. Além da exposição a alimentos, é mais provável que eles são contaminados com a água potável, e eles estão, literalmente, sendo atingidos por todos os lados por exposições na escola, creches, playgrounds, no trabalho e em suas casas.

Modificado em 30-7-2019 em 09:47

 

Notícias relacionadas:

s/d - Earthjustice & Chlorpyrifos [The toxic pesticide harming our children and environment.For half a century, staple food crops in the United States — such as corn, wheat, apples and citrus — have been sprayed with chlorpyrifos, a dangerous pesticide that can damage the developing brains of children, causing reduced IQ, loss of working memory, and attention deficit disorders. Earthjustice, among other groups, has pushed the U.S. Environmental Protection Agency to ban chlorpyrifos, as it is known to harm human health, water, and wildlife. The U.S. EPA was expected to make a decision in 2017. But two days before the court-ordered deadline, the agency reversed its own proposal and refused to ban the pesticide. After years of work in the courts, Earthjustice attorneys presented oral arguments, on behalf of our clients, at the Ninth Circuit Court of Appeals en banc re-hearing on Mar. 26, 2019, arguing that chlorpyrifos must be banned from all food uses. 24 days later, the Ninth Circuit issued its ruling, ordering the U.S. EPA to decide by Jul. 18 whether to ban chlorpyrifos. The agency announced it would allow the brain-damaging pesticide to stay in our fruits and vegetables (...)]

 

 

 

3-8-2019 - O Dia & Pesquisa indica que não há dose segura de agrotóxico [Pesquisadores testaram diferentes concentrações dos pesticidas, desde as doses mínimas indicadas até concentrações equivalentes a 1/30 dessas dosagens. Uma análise de dez agrotóxicos de largo uso no País revela que os pesticidas são extremamente tóxicos ao meio ambiente e à vida em qualquer concentração - mesmo quando utilizados em dosagens equivalentes a até um trigésimo do recomendado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Encomendado pelo Ministério da Saúde e realizado pelo Instituto Butantã, o estudo comprova que não existe dose mínima totalmente não letal para os defensivos usados na agricultura brasileira. "Não existem quantidades seguras", diz a imunologista Mônica Lopes-Ferreira, diretora do Laboratório Especial de Toxinologia Aplicada, responsável pela pesquisa. "Se (os agrotóxicos) não matam, causam anomalias. Nenhum peixe testado se manteve saudável." (...) ]

 

 

6-8-2019 - Brasil de Fato & Agrotóxicos: 44% dos princípios ativos liberados no Brasil são proibidos na Europa [Estudo evidencia discordância quanto ao uso de venenos; impasse pode prejudicar acordo comercial entre UE e Mercosul]

6-8-2019 - Correio do Povo & Brasil vai aprovar mais agrotóxicos para "entrar na modernidade", diz Tereza Cristina [Ministra afirmou que é necessário tomar cuidado para não "aterrorizar" os consumidores brasileiros acerca dos defensivos]

6-8-2019 - Sputnik & Ministra da Agricultura diz temer que críticas à liberação de agrotóxicos gerem guerra comercial [A ministra da Agricultura Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, disse nesta terça-feira (6), que teme que as autorizações dadas pelo governo para o registro de agrotóxicos no país se transformem em uma "guerra comercial" no âmbito internacional]

6-8-2019 - Folha de S.Paulo & 'Nenhum consumidor brasileiro está sendo intoxicado', diz ministra da Agricultura sobre agrotóxicos[Nova classificação reduziu número de defensivos na categoria dos extremamente tóxicos]

2-8-2019 - Brasil de Fato & Número de agrotóxicos que Anvisa considera "extremamente tóxicos" cai de 34% para 2% [Novo marco regulatório é "forma de enganar a sociedade", segundo pesquisador; mudança também impacta rótulo dos produtos. A nova classificação de agrotóxicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicada esta semana no Diário Oficial da União, provocou uma redução drástica do número de produtos considerados "extremamente tóxicos" no Brasil. Nos últimos estudos divulgados antes da mudança no método de sistematização, 800 agrotóxicos, em média, pertenciam a essa categoria, em um universo de cerca de 2300 – aproximadamente 34,7%. A nova tabela, divulgada pela Agência nesta quinta (1º), classifica apenas 43 como "extremamente tóxicos", o que equivale a 2,2% dos 1924 produtos analisados. A sistematização dos produtos, até então regulada por uma legislação de 1989 que previa a existência de quatro categorias segundo o nível de perigo oferecido pelos venenos, passou a ter cinco divisões, com novos critérios. As novas normas também permitem que produtos  antes considerados "altamente tóxicos", que provocam irritação severa na pele, passem para a categoria de toxicidade moderada, enquanto os "pouco tóxicos" – com risco de irritação leve na pele e nos olhos, por exemplo – fiquem liberados de classificação. Com isso, eles não apresentarão advertências no rótulo para o consumidor. (...)]

1-8-2019 - Por trás do alimento & Cegueira e corrosão da pele: novas regras para agrotóxicos aumentam riscos para trabalhador [Para especialistas, mudança em rótulo de pesticida que não apresenta risco de morte pode fazer agricultor acreditar que eles são menos perigosos. As novas regras anunciadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre classificação de agrotóxicos parecem, à primeira vista, apenas uma adaptação ao padrão internacional. Mas, na prática, especialistas e defensores dos direitos dos trabalhadores rurais afirmam que a medida vai colocar sob risco ainda maior a saúde de quem lida diretamente com a aplicação dos pesticidas. Isso porque a principal alteração do Marco Regulatório acontece na hora de classificar os produtos mais perigosos, ou seja, das classes "altamente tóxicos" e "extremamente tóxicos". Se antes os que causavam problemas como úlceras, corrosão dérmica e na córnea e até cegueira entravam nessas categorias, agora só vão fazer parte delas os que apresentarem risco de morte por ingestão ou contato. Assim, mais de 500 dos 800 produtos agrotóxicos hoje considerados altamente tóxicos vão passar para as classes menos perigosas, o que deve aumentar a produção e o consumo desse tipo de pesticida. Além disso, eles terão menos alertas no rótulo, ou seja, perdem a tarja vermelha e a caveira que chamava atenção sobre o risco mesmo para agricultores de baixa escolaridade. (...)]

 

 

 

28-7-2019 - Poder 360 & Agrotóxicos são potentes venenos, escreve Althen Teixeira Filho [Discussão sobre impacto foi superada. Malefícios já estão comprovados. Agrotóxicos são venenos, pensados e elaborados com o propósito único de lesar organismos! De forma mais direta e clara: são biocidas que matam células, sejam elas animais, vegetais, fungos, bactérias ou fauna edáfica! Refletindo nessa lógica, responde-se ao Sr. Graziano, sempre lastreado em fatos e argumentos científicos, evitando-se interpretações numéricas controversas, ideologias, visões economicistas ou tergiversações. O campo acadêmico e científico apresenta discordâncias, obviamente, mas os embates travados, mesmo no calor da disputa de ideias, devem ser sempre respeitosos e possíveis “agressividades de argumentos” jamais podem alcançar a órbita da pessoalidade. (...)]

26-7-2019 - G1 & Anvisa 'não tinha boa vontade' para liberar agrotóxicos, diz ministra da Agricultura [Ministério aprovou na segunda (22) o registro de mais 51 agrotóxicos e na terça-feira (23) a Anvisa definiu um novo marco regulatório para avaliação e classificação toxicológica dos produtos (...) O Ministério da Agricultura aprovou na segunda-feira (22) o registro de mais 51 agrotóxicos, totalizando 262 neste ano. O ritmo de liberação de novos pesticidas é o mais alto já visto para o período (...)]

25-7-2019 - Folha de S.Paulo & Novo marco de agrotóxicos não atende padrão internacional de riscos [Anvisa diz que novas regras se aplicam à comunicação do perigo, mas não à avaliação de risco]

24-7-2019 - Brasil de Fato & Nova classificação de agrotóxicos é "forma de enganar a sociedade", diz pesquisador  [Metodologia muda rótulo dos produtos; Greenpeace aponta que sistematização confunde consumidores (...) Especialista no tema, o engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, diz que a nova metodologia impõe riscos à saúde humana porque os pesticidas têm reconhecida ligação com diferentes tipos de males. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em média, 193 mil mortes registradas ao ano no planeta podem ter relação com o uso de agrotóxicos e outros produtos químicos.  "A informação de risco agora privilegia os casos de morte. Sobrevalorizar um veneno porque ele causa morte e deixar de lado preocupações de longo prazo, como câncer, cegueira, problemas de raciocínio e no sistema nervoso central, para nós, é uma forma de enganar a sociedade. Vai minimizar o cuidado que as pessoas vão ter com venenos que não causam a morte, mas que trazem dramas que, para uma família, são tão relevantes quanto a perda de um parente", reflete. (...) "Seria racional que nós tivéssemos um modelo semelhante, mas, na comunidade econômica europeia, pelo que sabemos, são proibidos vários dos produtos que são autorizados aqui. Seria de se esperar que uma reclassificação que compatibilizasse a realidade brasileira com a europeia retirasse do mercado esses produtos. No entanto, não há nenhuma sinalização nesse sentido", pondera Melgarejo, acrescentando que mais de 30% dos venenos que circulam nacionalmente são rejeitados por esses países. (...)]   

24-7-2019 - Huffpost & Nova regra da Anvisa permite que agrotóxico extremamente tóxico seja classificado como moderado [Segundo especialistas ouvidos pelo HuffPost, novo marco regulatório omite riscos à saúde humana. Para agência, mudança fortalece a comercialização de produtos nacionais no exterior. (...) Risco maior. Mas, para especialistas, as mudanças significam maiores riscos a agricultores e até mesmo aos consumidores. "O que a gente tem assistido é um grande movimento de flexibilização das regras para agrotóxicos, desde aceleração de aprovações [de novos pesticidas] até adoção desse padrão internacional, que na verdade, são apenas diretrizes", criticou Marina Lacorte, coordenadora da campanha de Agricultura e Alimentação do Greenpeace. Lacorte acusa o governo de usar tais normas internacionais a favor da bancada ruralista, no intuito de flexibilizar regras e classificações atuais e de "omitir" os verdadeiros riscos aos consumidores. Ela ressalta que foram aprovados e usados no Brasil agrotóxicos classificados como cancerígenos pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc, na sigla em inglês), que é respeitada e seguida pelo formato agora adotado pela agência brasileira. "Ou seja, [o governo] adota a classificação que lhe convém. É realmente contraditório", completa. (...)]

 

 

24-7-2019 - Folha de S.Paulo & 78% dos brasileiros acham que agrotóxicos são inseguros [Para 72% dos entrevistados, alimentos produzidos no Brasil têm mais agrotóxicos do que deveriam, aponta Datafolha]

 

 

24-7-2019 - Jornal GGN & Política dos agrotóxicos coloca em risco vida de brasileiros e acordo com União Europeia; entenda [Coordenadora de Atlas Geográfico sobre agrotóxicos aponta que um terço dos pesticidas liberados por Bolsonaro são proibidos em países europeus e, ainda, que a cada dois dias e meio uma pessoa morre no Brasil intoxicada por esses produtos]

 

 

23-7-2019 - Folha de S.Paulo & Anvisa adota risco de morte como único critério para classificar agrotóxicos [Nova regra da agência dispensa irritação de olhos e pele e vai reclassificar agrotóxicos muito tóxicos em categorias mais baixas]

22-7-2019 - Democracy Now! & The "Outdated Pesticide" Chlorpyrifos Is Linked to a Range of Health Issues. Why Isn’t It Banned? [An extended conversation with Patti Goldman of Earthjustice about the Environment Protection Agency’s decision not to ban the powerful pesticide chlorpyrifos. Although no longer available for household use, chlorpyrifos is still used by farmers on more than 50 fruit, nuts, cereal and vegetable crops. The EPA's own research shows that it can cause brain damage in children even at small doses. "It’s an outdated pesticide that hits anything with a nervous system," says Goldman. (...)]

21-7-2019 - The Guardian & Neurotoxins on your kid's broccoli: that's life under Trump (por ) [In the choice between big chemical corporations and ordinary citizens, the Environmental Protection Agency has made clear where its allegiances lie]

 

 

18-7-2019 - The New York Times & E. P. A. Won't Ban Chlorpyrifos, Pesticide Tied to Children's Health Problems [The Trump administration took a major step to weaken the regulation of toxic chemicals on Thursday when the Environmental Protection Agency announced that it would not ban a widely used pesticide that its own experts have linked to serious health problems in children. The decision by Andrew R. Wheeler, the E.P.A. administrator, represents a victory for the chemical industry and for farmers who have lobbied to continue using the substance, chlorpyrifos, arguing it is necessary to protect crops (...)]

 

 

18-7-2019 - O Globo & Agência americana decide não banir agrotóxico associado a problemas de saúde em crianças [Indústria química usa clorpirifós, um dos mais vendidos no Brasil, em cultivos agrícolas; estudos neurológicos haviam recomendado proibição do pesticida]

29-6-2019 - Brasil de Fato & Agrotóxico "clorpirifós", que diminui QI das crianças, é cada vez mais usado no país [Especialistas alertam para os danos causado pela substância; pesticida é proibido em 8 países europeus. Usado no combate a larvas e insetos, a substância clorpirifós está em uso crescente no Brasil e deixa rastro nos alimentos e no corpo humano. Segundo monitoramento do Ibama, em 2009, foram vendidas 3 toneladas do produto. Oito anos depois, em 2017, as vendas ultrapassaram 6,4 toneladas. Os dados foram divulgados pela revista Carta Capital. Enquanto aumenta o uso no Brasil, o agrotóxico já foi banido por 8 países europeus e está em contestação em 6 estados americanos. Além disso, de acordo com o jornal francês Le Monde, a comissão da União Europeia estuda não renovar a licença da pesticida que tem autorização de uso até 2020. Segundo especialistas, os danos causados pelo pesticida vão de distúrbios hormonais a deficiência mental irreversível nos fetos e diminuição de até 2,5 pontos de QI (quociente de inteligência) das crianças. O clorpirifós atinge o funcionamento de um neurotransmissor fundamental ao sistema nervoso central dos insetos, a acetilcolina, se tornando muito eficiente. A questão é que outros seres vivos também possuem esse circuito e, entre eles, os humanos (...)]

 

 

24-5-2019 - Mother Jones & DowDupont Lavishes Campaign Cash On Politicians Who Voted Against a Ban on its Blockbuster Pesticide [Chlorpyrifos has been linked to brain damage in kids. In March 2017, at the dawn of the Trump administration, then-Environmental Protection Agency administrator Scott Pruitt was forced by a court order to decide whether to honor his agency’s own plan to ban a pesticide called chlorpyrifos. Made by DowDupont, chlorpyrifos is a blockbuster insecticide used on a variety of crops, from corn and soybeans to grapes and tree nuts. The EPA’s own scientists had deemed the chemical a danger to kids’ brain development at very low exposure levels. Even so, Pruitt decided to keep the chemical on the market. Since then, the fight over chlorpyrifos has moved to Congress. A House bill that would ban the chemical, introduced in January, drew 107 sponsors. The money-in-politics watchdog Maplight recently released data on DowDupont’s campaign contributions since Pruitt’s decision. Turns out, according to filings with the Federal Election Commission, among the the 330 House members who chose not to sponsor the bill to ban the insecticide, 118 had raked in a total of $379,651 from Dow since 2017. Of the bill’s 107 sponsors, just 10 had received money from the company, for a total of $14,000 (...)].

25-4-2019 - Kaiser Health News (KHN) & States Weigh Banning A Widely Used Pesticide Even Though EPA Won't [Lawmakers in several states are trying to ban a widely used pesticide that the Environmental Protection Agency is fighting to keep on the market. The pesticide, chlorpyrifos, kills insects on contact by attacking their nervous systems. Several studies have linked prenatal exposure of chlorpyrifos to lower birth weights, lower IQs, attention deficit hyperactivity disorder and other developmental issues in children. But the EPA in 2017 ignored the conclusions of its scientists and rejected a proposal made during the Obama administration to ban its use in fields and orchards. Hawaii was the first state to pass a full ban last year. Now California, Oregon, New York and Connecticut are trying to do the same. Should California succeed, the rear-guard action could have a big impact."If California is successful, that's a big deal because it's such a big state — the biggest agricultural state," said Virginia Ruiz, director of occupational and environmental health at the Washington, D.C.-based nonprofit Farmworker Justice (...)]

24-4-2019 - Beyond Pesticides & Federal Court Orders EPA to Justify Use of Chlorpyrifos within 90 Days [On April 19, the U.S. Court of Appeals for the 9thCircuit ordered the U.S. Environmental Protection Agency (EPA) to provide a justification for why chlorpyrifos, a neurotoxic insecticide commonly used in agriculture, should remain in the U.S. market. The EPA has 90 days to comply. Chlorpyrifos has been linked to damaging and often irreversible health outcomes in workers, pregnant women, and children. Low levels of exposure early in life can lead to increased risk of learning disabilities including lowered IQ, developmental delay, and attention deficit/hyperactivity disorder (ADHD). Farmworkers and their children are disproportionately affected by the use of this chemical because they are exposed at work, home, and even at school. "While we are moving forward, the tragedy is that children are being exposed to chlorpyrifos, a pesticide science has long shown is unsafe," said Earthjustice Attorney Patti Goldman in a statement. "We hope Trump’s EPA finally decides to protect the future of countless children and the health of millions of farmworkers." (...)]

14-7-2017 - The Intercept & Poison Fruit [Dow Chemical Wants Farmers to Keep Using a Pesticide Linked to Autism and ADHD [(...) In 2014, the first and most comprehensive look at the environmental causes of autism and developmental delay, known as the CHARGE study, found that the nearby application of agricultural pesticides greatly increases the risk of autism. Women who lived less than a mile from fields where chlorpyrifos was sprayed during their second trimesters of pregnancy, as Magda did, had their chances of giving birth to an autistic child more than triple. And it was just one of dozens of recent studies that have linked even small amounts of fetal chlorpyrifos exposure to neurodevelopmental problems, including ADHD, intelligence deficits, and learning difficulties. On November 10, the U.S. Environmental Protection Agency issued a groundbreaking report laying out the serious dangers of chlorpyrifos. The "Chlorpyrifos Revised Human Health Risk Assessment," as it was called, laid out the evidence that the pesticide can cause intelligence deficits and attention, memory, and motor problems in children. According to the report, 1- and 2-year-old children risk exposures from food alone that are 14,000 percent above the level the agency now thinks is safe. Dow, the giant chemical company that patented chlorpyrifos and still makes most of the products containing it, has consistently disputed the mounting scientific evidence that its blockbuster chemical harms children. But the government report made it clear that the EPA now accepts the independent science showing that the pesticide used to grow so much of our food is unsafe. The "pre-publication copy" of the report stated that "residues of chlorpyrifos on most individual food crops exceed the 'reasonable certainty of no harm' safety standard under the Federal Food, Drug and Cosmetic Act," which means, in simple terms, that any given sample of food may contain harmful levels of chlorpyrifos. In addition, estimated drinking water and non-drinking water exposures to the chemical also exceed safety standards. The next step was to finalize a chlorpyrifos ban. (...)]

 

 

10-11-2016 - United States Environmental Protection Agency (EPA) & Updated Human Health Risk Analyses for Chlorpyrifos [For Release:  November 10, 2016]